Efeito Trump

Tarifaço dos EUA derruba preços de carne e frutas e acende alerta em Mato Grosso

publicidade

Cortes nobres estão mais acessíveis.

Da redação

Em um movimento que antecipa o “tarifaço” norte-americano, os preços da carne bovina e de diversas frutas vêm registrando quedas significativas no Brasil. A arroba do boi gordo despencou cerca de 8% a 10% nas principais praças de produção nas últimas semanas, refletindo tanto o excesso de oferta quanto a expectativa do embargo americano.

As frutas também sofrem: variedades como banana, maçã e mamão tiveram redução média de 7% a 12% nos hortifrutis regionais, pressionadas pela concorrência de importações mais baratas e pela retração da demanda interna.

No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou para os Estados Unidos cerca de 181,5 mil toneladas de carne bovina (13,7% do total exportado pelo país), faturando aproximadamente US$ 1,04 bilhão. Já de Mato Grosso, os EUA adquiriram 26,5 mil TEC (equivalente carcaça), representando 7,2% dos embarques do estado.

A situação em Mato Grosso ganha relevância diante deste cenário: o estado abriga o maior rebanho bovino do Brasil — cerca de 34 milhões de cabeças, correspondendo a quase 14% do total nacional — e responde por aproximadamente 20% das exportações brasileiras de carne bovina.

Leia Também:  Regularização fundiária e seguro rural entram no topo da agenda para 2026

Os números recentes mostram que as exportações do estado para os EUA despencaram: após recorde de 7.136 toneladas em abril, os embarques caíram para 3.564 TEC em maio, queda de aproximadamente 50%, e desabaram 75% em junho, quando comparados a abril. Segundo o boletim do Instituto Mato‑grossense de Economia Agropecuária (Imea), “apesar das tarifas adicionais, o Mato Grosso é pouco dependente dos EUA graças à diversificação de mercados, o que permite redirecionar as exportações e mitigar impactos”, afirmou a entidade.

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, alerta: “Essa carne que seria mandada para os Estados Unidos vai impactar no nosso mercado. Vai refletir em baixa no preço da arroba. Os frigoríficos estão preocupados e o produtor… vai sofrer esse impacto com maior força”.

Foto: Everton Queiroz/Acrimat

Embora o Brasil ainda seja o maior fornecedor de carne bovina para os EUA — superando Austrália e Uruguai — o cenário se transforma rapidamente. As exportações nacionais caíram cerca de 80% entre abril e julho de 2025, antes mesmo da sobretaxa de 50% que deve entrar em vigor em 1º de agosto.

Leia Também:  Tempestades no Sul e seca no Nordeste desafiam o plantio da safra

O impacto no mercado doméstico se reflete diretamente no bolso do consumidor: com a arroba mais barata, cortes nobres como picanha e contrafilé acumulam quedas entre 10% e 15% nos açougues das grandes cidades. Internamente, os fornecedores de frutas também reduzem preços, numa tentativa de manter giro e estoque.

Com o “tarifaço” americano prestes a começar, o setor em Mato Grosso vive um momento de tensão: de um lado, queda nos ganhos externos; de outro, pressão sobre os valores internos. A estratégia agora envolve buscar novos destinos para exportação e ajustar margens sem transferir perdas aos produtores e consumidores.

Em resumo: os preços da carne e das frutas caem no Brasil, o impacto chega rápido em Mato Grosso — que já perde mercado nos EUA — e o “tarifaço” se aproxima como um fator que pode aprofundar essa instabilidade nos preços e na produção.

 

Fonte: Imea, Conab

 

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade