Estado vai restaurar mais de 10 mil hectares degradados no Xingu

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O Pará vai recuperar 10.346 hectares de floresta degradada na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, entre os municípios de Altamira e São Félix do Xingu. O projeto utilizará espécies nativas da Amazônia, movimentará a cadeia regional de sementes e prevê a contratação e a capacitação de trabalhadores das comunidades próximas.

O empreendimento receberá investimento de aproximadamente R$ 257 milhões ao longo de sua implantação. Desse total, R$ 180 milhões serão financiados com recursos do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O financiamento poderá cobrir até 80% dos investimentos previstos para os primeiros anos.

A iniciativa faz parte da primeira concessão pública brasileira destinada especificamente à restauração ecológica com geração de créditos de carbono. Formalizado pelo governo paraense em julho de 2025, o contrato tem duração de 40 anos e transfere à concessionária a responsabilidade de recuperar, conservar e monitorar a área. A propriedade continua pública.

O modelo pretende transformar a recuperação florestal em uma atividade econômica capaz de gerar receita. Uma das fontes será a comercialização de créditos de carbono correspondentes ao gás carbônico retirado da atmosfera durante o crescimento da vegetação. A estimativa é que a floresta restaurada remova aproximadamente 4,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente durante os 40 anos da concessão.

O projeto será executado pela concessionária Triunfo do Xingu Restauração Ecológica S.A. na Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu. A área integra uma das maiores unidades de conservação de uso sustentável do Brasil. A APA possui cerca de 1,68 milhão de hectares e ocupa partes dos territórios de Altamira e São Félix do Xingu.

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A localização aumenta a importância da iniciativa. A região sofreu forte avanço do desmatamento, da ocupação irregular e da pecuária extensiva nas últimas décadas. Dados reunidos pelo Instituto Socioambiental apontam que o desmatamento acumulado dentro da APA chegou a quase 798 mil hectares até 2023, considerando também as áreas abertas antes da criação da unidade de conservação.

A recuperação será realizada por diferentes métodos. Nas áreas mais degradadas, haverá plantio de mudas e semeadura direta. Em locais que ainda preservam condições para a retomada espontânea da vegetação, será adotada a condução da regeneração natural. Essa combinação permite adaptar o trabalho às características de cada trecho e reduzir custos onde a própria floresta ainda conserva capacidade de recuperação.

A previsão é utilizar aproximadamente 200 toneladas de sementes de mais de 50 espécies nativas da Amazônia, incluindo árvores ameaçadas de extinção. A dimensão da demanda poderá fortalecer redes de coletores, viveiros, associações comunitárias, transportadores e prestadores de serviços ligados à restauração florestal.

A coleta de sementes cria uma oportunidade de renda especialmente importante para comunidades que conhecem a floresta e seus ciclos. O trabalho exige identificação das espécies, localização das árvores matrizes, acompanhamento do período de frutificação, coleta, beneficiamento, armazenamento e transporte adequado do material.

O empreendimento também prevê investimentos permanentes em capacitação profissional, pesquisa, inovação e monitoramento ambiental. A prioridade anunciada é ampliar a participação de trabalhadores locais, com atenção à formação de jovens e mulheres.

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Parte da receita da concessão deverá ser obrigatoriamente aplicada em ações sociais, ambientais e fundiárias dentro da região. O contrato também permite o desenvolvimento de projetos agroflorestais, combinando a recuperação da vegetação com atividades produtivas adequadas às características da Amazônia.

Para o Pará, o projeto funciona como teste de um modelo que procura unir conservação, capital privado e desenvolvimento regional. A experiência da Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu poderá servir de referência para novas concessões em áreas públicas degradadas do Estado.

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), responsável pela estruturação da concessão, afirma que pretende utilizar o aprendizado obtido no Xingu em outras regiões. O Estado estabeleceu como meta recuperar 5,6 milhões de hectares de vegetação até 2030.

O resultado dependerá da execução do plantio, da manutenção das áreas, da prevenção de incêndios, da proteção contra novas ocupações e do acompanhamento da sobrevivência das espécies. A geração dos créditos de carbono também precisará ser medida, verificada e certificada ao longo do contrato.

A iniciativa, porém, oferece ao Pará a possibilidade de transformar terras públicas degradadas em floresta, renda e trabalho. Mais do que financiar árvores, o projeto busca criar uma cadeia econômica de longo prazo em torno da recuperação ambiental da Amazônia.

Fonte: Pensar Agro

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