Agro deve responder por quase um quarto da economia em 2026

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O agronegócio brasileiro deve movimentar R$ 3,13 trilhões em 2026 e responder por 22,8% de toda a economia nacional. A projeção mantém o setor entre os principais motores do País, mesmo em um ano de acomodação depois do forte crescimento registrado em 2025 e com desempenhos diferentes entre agricultura e pecuária.

A estimativa é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O cálculo considera toda a cadeia, desde os insumos e a produção dentro das propriedades até a agroindústria e os serviços ligados ao setor.

Dos R$ 3,13 trilhões projetados para este ano, aproximadamente R$ 1,88 trilhão devem vir do ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão, da pecuária.

Os números mostram que, mesmo diante de um ambiente econômico mais difícil, o campo continua sustentando uma parcela expressiva da atividade brasileira. A participação estimada de 22,8% significa que praticamente R$ 1 de cada R$ 4 gerados na economia terá relação com alguma etapa das cadeias do agronegócio.

O resultado de 2026, porém, deverá ficar abaixo do registrado no ano passado. Depois de crescer mais de 12% em 2025, o PIB do agro entrou neste ano em processo de acomodação.

A maior diferença aparece entre lavouras e criação animal.

A pecuária deve crescer 2,8% e alcançar R$ 1,25 trilhão. O desempenho é sustentado especialmente pela bovinocultura de corte e pelo avanço das atividades que vêm depois da porteira.

A agroindústria pecuária tem perspectiva de crescimento de 7,9%, enquanto os serviços ligados ao ramo podem avançar 7,6%. O comportamento das exportações de carnes também contribui para sustentar a cadeia.

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Na agricultura, o cenário é mais desafiador. A projeção indica redução de 13,7% no PIB do ramo em 2026, depois de um período de forte desempenho produtivo.

A queda não significa necessariamente que o Brasil esteja produzindo menos.

Esse é um dos pontos importantes para entender os números deste ano. O PIB do agronegócio considera o valor adicionado pelas diferentes atividades da cadeia. Assim, uma safra elevada pode coexistir com redução do PIB quando os preços recebidos caem ou quando os custos absorvem uma parcela maior da receita.

É justamente o que vem ocorrendo em parte das lavouras.

No segmento primário agrícola, diretamente relacionado à produção dentro das propriedades, a retração projetada chega a 21%. A redução dos preços de diferentes produtos agrícolas é apontada como uma das principais causas.

Para o consumidor, parte desse movimento contribui para alimentos mais baratos. Para o produtor, significa a necessidade de produzir com maior eficiência para preservar a rentabilidade.

A diferença entre agricultura e pecuária também abre oportunidades dentro do próprio agronegócio. A expansão da produção animal aumenta a demanda por milho, soja e outros ingredientes utilizados na fabricação de rações, aproximando ainda mais as duas cadeias.

O processamento é outra frente de crescimento. Quanto maior a parcela da produção transformada dentro do País, maior tende a ser o valor agregado antes de o produto chegar ao mercado interno ou ser exportado.

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Essa discussão ganha força justamente na entrada da safra 2026/27. Na soja, por exemplo, a expansão do esmagamento para produção de farelo e óleo e o aumento da utilização de biocombustíveis criam novas fontes de demanda além da exportação do grão.

O tamanho projetado para o PIB mostra também como o agronegócio deixou de ser medido apenas pelo que ocorre dentro das propriedades. Indústria de alimentos, frigoríficos, armazenagem, transporte, comércio, serviços financeiros e outras atividades ajudam a transformar a produção rural em uma cadeia que supera R$ 3 trilhões.

Isso não elimina os desafios de 2026. Juros ainda elevados, custos de produção, endividamento e preços menores de algumas commodities exigem atenção, especialmente dos agricultores que começam a definir os investimentos da próxima temporada.

Mas os números também mostram uma capacidade importante de compensação dentro do próprio setor. Enquanto a agricultura atravessa um ciclo de preços menos favorável, a pecuária cresce e segmentos industriais e de serviços continuam avançando.

A projeção de R$ 3,13 trilhões, portanto, retrata um agronegócio que passa por um ano de ajuste sem perder sua dimensão na economia brasileira. Para o produtor, o desafio agora é aproveitar uma produção que continua elevada e buscar maior eficiência e agregação de valor para transformar volume em renda.

Fonte: Pensar Agro

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