EDUCAÇÃO BÁSICA

Presidente Lula sanciona lei que restringe uso de celulares nas escolas

Lei nº 15.100/2025 busca equilibrar o uso de tecnologias digitais na educação básica.
Foto: Ângelo Miguel/ MEC

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O projeto de lei que regulamenta a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis, incluindo celulares, por estudantes nos estabelecimentos de ensino público e privado da educação básica foi sancionado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira, 13 de janeiro. A medida visa salvaguardar a saúde mental, física e psíquica de crianças e adolescentes, promovendo um ambiente escolar mais saudável e equilibrado. O ministro da Educação, Camilo Santana, participou da cerimônia. 

De acordo com a Lei nº 15.100/2025, que será publicada no Diário Oficial da União de terça-feira, 14 de janeiro, é vedado o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante aulas, recreios e intervalos em todas as etapas da educação básica. A vedação não se aplica ao uso pedagógico desses dispositivos. As exceções são permitidas apenas para casos de necessidade, perigo ou força maior. A lei também assegura o uso desses dispositivos para fins de acessibilidade, inclusão, condições de saúde ou garantia de direitos fundamentais.  

“O objetivo da lei não é proibir o uso de celulares, mas proteger nossas crianças e adolescentes por meio da restrição a esses aparelhos”, disse Santana. “O celular só poderá ser utilizado nas salas de aula para fins pedagógicos e com orientação dos professores. Também não será permitido durante os intervalos, com a finalidade de estimular e fortalecer a integração entre os alunos. Nossos jovens têm muito acesso à internet e a aparelhos próprios, o que atrapalha no sono, na interação social e na concentração, por isso essa lei é tão importante.” 

Para o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a assinatura dessa lei deve ser vista como um ato de coragem e de cidadania. “Por meio dessa sanção, reconhecemos o trabalho de todos que cuidam da educação e dos jovens deste país. O ser humano nasceu para viver em sociedade e para interagir de forma física, então esse é um passo que representa muito para o futuro do país. Queremos que as crianças voltem a brincar, a interagir entre si e a estudar”, completou. 

Uso pedagógico – A norma determina que o uso dos celulares e de qualquer tecnologia em sala de aula deve ser pautado por uma intencionalidade pedagógica clara. Primeiramente, exige um planejamento consciente e direcionado do professor para que a tecnologia atenda a objetivos educacionais específicos. Em seguida, a tecnologia deve ser utilizada como meio, e não como fim, servindo para potencializar a aprendizagem e não como distração ou elemento isolado. Outro ponto essencial é a necessidade de promover uma reflexão crítica sobre o uso das tecnologias, ajudando estudantes e professores a compreenderem seu papel e impacto no processo educativo.  

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“O CNE vai fazer uma resolução que oriente as redes e escolas como fazer todo esse processo, sem parecer uma opressão contra os estudantes”, informou a presidente da Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria do Pilar Lacerda. “A escola é um ambiente de interação social, que deve criar espaços para que as crianças aprendam e se desenvolvam em comunidade. Além disso, também é fundamental que as famílias estejam engajadas nesse projeto e auxiliem crianças e adolescentes a se adaptarem a essa nova realidade.” 

Na visão da secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt, a medida reforça a necessidade de promover uma educação digital crítica, que incentive o uso equilibrado, seguro e responsável das tecnologias. “A nova lei vem para restringir o uso desequilibrado — que prejudica a atenção dos estudantes, além de reduzir momentos valiosos de brincadeiras e conversas entre eles”, considerou.  

A legislação estabelece, ainda, que as redes de ensino e escolas implementem estratégias para tratar da saúde mental dos estudantes, oferecendo treinamentos periódicos para prevenção e detecção de sinais de sofrimento psíquico e mental relacionados ao uso excessivo de dispositivos digitais. Também devem ser criados espaços de escuta e acolhimento para estudantes e funcionários.  

Os estados e municípios, em parceria com as comunidades escolares, serão responsáveis por definir os formatos mais adequados para a implementação da lei, considerando as particularidades locais. O Ministério da Educação (MEC) garantirá o apoio técnico às redes de ensino para que a adaptação às novas normas seja tranquila e eficiente. Em breve, também vai lançar materiais de orientação, ações de comunicação e formação às redes.  

Escolas conectadas 

A restrição dos dispositivos eletrônicos se relaciona com a atuação do MEC para promover uma educação digital e midiática em todas as escolas de educação básica no âmbito da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), lançada no final de 2023. A pasta vem expandindo a conectividade para fins pedagógicos, aliada a uma educação digital que promova o uso consciente e equilibrado das tecnologias.   

Em 2023, apenas 42% das 137 mil escolas públicas possuíam conectividade adequada para atividades pedagógicas. A fim de superar essa realidade, serão investidos R$ 6,5 bilhões até 2026. Em 2024, 11 mil novas escolas passaram a ter conectividade adequada, o que representa 51% das escolas públicas. Além disso, foram lançados quatro editais de atendimento, que beneficiarão 32 mil escolas com internet e Wi-Fi. Dessas, 15 mil serão beneficiadas pelo Aprender Conectado, Leilão do 5G, e 17 mil serão por meio do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Desde a criação do Fust, nos anos 2000, essa é a primeira vez em que ele está sendo utilizado para conectar escolas.  

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Ainda em 2024, 100 mil escolas receberam repasses financeiros por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) Educação Conectada/Política de Inovação Educação Conectada (Piec) para contratação de serviços de conectividade, totalizando R$ 301 milhões.  

As secretarias estaduais são também importantes atores na execução da política de conectividade em seus territórios no âmbito da Lei nº 14.172/2021. Foram executados R$ 452 milhões em serviços de internet e Wi-Fi, previstos nos planos de conectividade dos estados. 

Assessoria técnica – Neste ano, serão lançadas a assessoria técnica e a formação para as 5.570 secretarias municipais, fortalecendo a oferta de formações continuadas e a implementação da educação digital no currículo. O objetivo é fortalecer as capacidades locais para o desenho e oferecimento de formações continuadas aos profissionais da educação, bem como para a implementação da educação digital no currículo da rede. 

A fim de apoiar a formação continuada de professores e demais profissionais da educação na implementação da educação digital na educação básica e para o desenvolvimento dos saberes digitais docentes, o MEC lançou o Referencial de Saberes Digitais Docentes. Este aborda competências essenciais, como o uso da tecnologia em sala de aula, curadoria de recursos digitais, práticas inclusivas e cidadania digital. A ferramenta é destinada a professores dos ensinos fundamental e médio, além de apoiar educadores na integração de tecnologias digitais em suas práticas pedagógicas. O intuito é permitir que professores identifiquem seus pontos fortes e suas áreas de desenvolvimento.  

O referencial inclui um autodiagnóstico e já foi respondido por mais de 55 mil professores. Os docentes interessados podem acessar a ferramenta de autodiagnóstico no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (Avamec)

Além disso, o MEC vem ampliando a oferta de cursos, como Segurança e Cidadania Digital, Uso de Recursos Educacionais Digitais e Inteligência Artificial e Educação Midiática, disponibilizados no Avamec. Para conferir os cursos com vagas disponíveis, basta o usuário acessar a página Competênecia e Formação no portal do MEC.   

BNCC Computação – A educação digital é uma prioridade do MEC, de modo que a BNCC Computação, referente à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) para o levantamento de mais subsídios para as redes sobre como fazer a implementação. 

Com isso em vista, o MEC realizou um levantamento com todas as redes por meio do Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec). Assim, constatou que 59% indicaram já terem implementado a BNCC Computação. 

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